Gaapi, a bebida cósmica dos Desana (Um ensaio desenhístico) – por Jaime Diakara, Desana

Agradeço ao professor Gilton Mendes, pela revisão do texto e, principalmente, por ter me estimulado a escrever minha dissertação de Mestrado (“Gaapi: elemento fundamental de acesso aos conhecimentos sobre esse mundo e de outros mundos”) por meio do desenho. Agradeço a Justino Rezende, Israel Dutra, Dagoberto Azevedo e João Paulo Barreto pela tradução dos textos escritos originalmente em língua Tukano.

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Abe e Bʉhpo – antes da origem do mundo

Antes do mundo existia Ʉmũsĩ Dihtaru onde viviam Abe e Bʉhpo. Nesse lago celeste existiam três tipos de linhas de forças: a linha branca de nuvens, a linha preta de nuvens e a linha aquosa de nuvens. Além delas, no centro do Lago, existia um pilar hiper-brilhante. Meu avô relatou que esse pilar era de breu, e que representava o próprio Abe. Por ser muito luminoso, nenhum ser podia aproximar-se dele. No ápice do pilar, ainda, havia um pedaço circular de pedra, do qual saiam três chamas de fogo: fogo de chama vermelha intensa, fogo de chama amarela intensa e fogo de chama verde intensa. Ao redor do pilar de breu havia sete cuias em círculo. Essas cuias representavam a fonte de vida e a força dos seres humanos. O líquido derretido do breu caia na forma de linhas e se juntavam dentro das cuias. Esse evento significava a reconstrução da vida de Abe, e o breu derretido simbolizava a sua força essencial. A mancha escura simboliza, por outro lado, a força de Bʉhpo, que domina as nuvens – a força que emana do cigarro do kumu (conhecedor ou xamã).

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Abe e Bʉhpo (Sol e Trovão) seres ancestrais do gaapi pahti, o mundo do gaapi.

A história de gaapi, na versão desana, conta que o primeiro nível cósmico é constituído das ramificações de Ʉmʉrĩ Mahsu, as quais representam vasos sanguíneos; o segundo nível é constituído pelos rituais xamânicos, que servem para consolidar a força e a resistência dos vasos sanguíneos de Gaapi. Segundo contou meu pai, os kumuã (conhecedores) relatavam que os próprios fios de cabelo de Omẽ Mahsʉ se tornaram ramos de gaapi. Para melhor traduzir esta transformação, os conhecedores diziam que ele pode ser denominado de Yukʉdʉka gaahpidari mahsu, “ser dos ramos de gaapi”. Abe e Omẽ Mahsʉ não se davam bem, viviam em constante atrito. Cada parte dos seus corpos, vasos, ossos e ornamentos constituíam suas forças e armas. Extraíam dos seus próprios ossos o wiõ (rapé) e, em seguida, o consumia. Ainda, transformavam o sangue de seus vasos em gaapi para ser bebido.

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Gaapi Mahsu (Gente de Gaapi)

Os velhos contam que em Diawi nascia o menino chamado Gaapi, revestido do poder de Ʉmʉkori Mahsu. No momento de seu nascimento, todos os seres sentiram o poder da bebida. Logo em seguida, a mãe de Gaapi ofereceu a Bohtari Wõãku (ser-potência dos esteios da Casa da Emergência) a bebida em uma enorme cuia, que, imediatamente, sentiu o efeito da bebida. O bebê Gaapi tinha a forma humana e brilhava como o sol. Seu corpo era constituído por vários tipos da planta de gaapi. Após seu nascimento, a mãe perguntou quem era o pai da criança. Ninguém respondeu. Assim, ao olhar para um canto da Casa, viu que ali estava o bicho-preguiça, deitado numa rede atado sobre um feixe de lenha. Diante de tal cena, a mulher imaginou que ele seria o pai da criança. Ao recebê-la em seus braços, o bicho-preguiça levou-a rapidamente para bem longe dalí, na direção onde hoje é território colombiano. Quando foi encontrada pelo pai, ela já estava morta, tendo seu corpo sido todo esquartejado. Mas, Bohtari Wõãkũ conseguiu recuperar alguns pedaços do corpo da criança, que foram embrulhados e levados até Ohkó Diawi.

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Fontes de vida de Ʉmũkori Mahsu (Gente do dia)

Nossos ancestrais Desana nos ensinaram que esses conhecimentos fazem parte da proteção da vida da pessoa. Um kumu que realiza o ritual de proteção da criança sabe, exatamente, o que e porque de seu ato. Meu pai dizia que quando o xamã tem segurança no que está fazendo, realiza os rituais com muita naturalidade. É assim que os velhos protegiam a vida de seus membros e preparavam novos kumuã. Um menino “bem benzido”, quando chegava o dia de tomar gaapi e aprender os rituais xamânicos, aprendia sem dificuldades. Por isso a ligação de Ʉmũkori Mahsa com gaapi faz parte do círculo da vida, ligado, por sua vez, nas veias de Abe no momento do ritual de gaapi. Por isso os grafismos destacam as cores vermelha, verde, amarela, preta e azul. A linha vermelha, no centro, simboliza a espinha dorsal de Abe, e as linhas geométricas com grafismo representam o caminho de Abe, o nascer e o tombamento diário do sol. O desenho em si representa o corpo de Abe fixado na terra como símbolo do povo Desana ligado a gaapi mahsu.

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Ʉmʉkorĩ gaapida (Gaapi do dia), que representa Abe (sol)

Os Ʉmʉkori Mahsu Gaahpidari são gaapi utilizados em rituais de passagem da adolescência. Por meio dessas cerimônias o kumu evoca as forças de Ʉmʉkori Mahsu para proteger o corpo do novo rapaz. Para isso ele utiliza elementos que servem para misturar ao gaapi. Os Ʉmʉkori Mahsu Gaahpidari estão sempre associados a duas cuias, a de cima representa Abe e todo o processo de sabedoria, acessado pelos kumuã. No seu rosto estão os grafismos que representam a luz e a força: as linhas gráficas com cores diferentes que saem dessa cuia em direção a cuia de baixo são a energia de gaapi mahsu, dando força para os três povos indígenas, representados na cuia de baixo, onde estão os elementos representativos de cada um deles: o banco dos Pamʉrĩ Mahsa (Tukano) , a forquilha com o cigarro dos Ʉmʉrĩ Mahsa (Desana), e o suporte dos Yukʉdʉka Mahsa (Tuiuka).

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Yukʉdʉka Gaapida (Gaapi da floresta), simbolizando Bʉhpo (Trovão).

Os Yukʉdʉka Gaapidari são gaapi da floresta, os cabelos de Yukʉdʉka Mahsa, consumidos durante as festas de Dabucuri. Existem dois tipos: Sei gaapida e Tarubʉ gaapida. Além destes existem também aqueles que fazem parte do mundo dos filhos de Jurupari: gaapi de ingá, gaapi de seringa, gaapi de folhas (esses últimos fazem parte do gaapi de frutas). Yukʉdʉka Gaapidari são considerados yukʉdʉka mahsu, o ser das florestas, das árvores da sabedoria. Por isso a ligação entre as duas cuias tem cores da floresta e da fumaça de tawari (cigarro).

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Waí gaapida (gaapi de peixe)

Waimahsa Gaapidari simboliza a Canoa de Transformação dos Pamʉrĩ Mahsa (Gente Emergente). São tipos de gaapi consumidos pelos kumuã, filhos dos seres Peixe-Gente, durante os “dabucuri de peixe”. São eles: waí gaapida, boré gaapida e bahsi gaapida. Esses tipos foram plantados pelos waimahsã nas margens dos rios. Os conhecedores desse tipo de conhecimento dizem que os Waimahsa Gaapidari representam a força e o poder da vida dos kumuã, bayaroa e yaiwa. Por isso o kumu é o xamã dos rituais de gaapi, o guardião dessas plantas, ele é considerado a figura mais importante quando se trata dos rituais de gaapi. A cuia inferior representa a origem da vida no Lago de Leite; a cor vermelho-urucum é o signo do sangue e da luta com os seres durante a longa viagem da transformação; o amarelo é o caminho iluminado, dourado, que levou à emergência no mundo terrestre, simbolizado pela cuia superior e a maloca ornada com peixes (no mundo do kumu).

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Gaapi Pegʉ (kumu)

O Gaapi pegʉ é o próprio kumu, responsável pela coleta do gaapi. Ele mergulha e se reveste do ser gaapi, usando do seu cigarro. Ele agencia as forças cósmicas desde o momento em que vai buscar as ramas, socar e cozinhar a bebida. O efeito que se coloca no gaapi são as próprias cores das cestarias, provocando-lhes fortes efeitos, ou tendo tais efeitos anulados por outro kumu – na rivalidade. Quando vai buscar o gaapi, ele está em sintonia com três mundos dos gaapi mahsa: ʉmʉkori mahsʉ, yukʉkʉka mahsʉ e do waimahsʉ.

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Gaapi dohkegʉ e nimasãgʉ (kumu do ritual de gaapi).

O kumu que preparou o gaapi é aquele que melhor injeta o poder à bebida: ele fuma o cigarro agenciador com as forças da “gente-estrela” ou gente-gaapi no momento em que busca as ramas da planta na floresta, quando busca a água, quando soca os pedaços e quando coa o líquido na peneira. É nesse momento que o agenciador põe os efeitos que os consumidores da bebida sentirão durante as cerimônias. Depois, segue o cozimento do gaapi. Antes de colocar a bebida no recipiente, o agenciador o defuma para adicionar mais efeitos. Durante o cozimento vai experimentando e controlando para que a bebida ganhe o ponto certo. Ele coloca o efeito dentro gaapi, as visões personalizando cobras, chuvisco em forma de cata-vento e esteiras de pari e de arumã com grafismos em forma de raio. Por isso, quando a pessoa bebe, ela tem certas visões já antecipadas e intencionadas da bebida, outros não verão nada, apenas sentem tontura ou medo dos “seres-grafismo-de-raio”.

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Gaapitʉ (pote de gaapi)

O recipiente do gaapi está dividido em três partes, que representam patamares do cosmo e a origem dos povos Gente-do-Dia, Gente-da-Emergência e os Filhos-da-Cobra-de-Pedra. O recipiente também representa a fonte dos pensamentos. O grafismo do recipiente de gaapi representa os cantos/danças tradicionais, gaapiwaya. As duas “orelhas” do pote gaapitʉ são as orelha do gaapi mahsʉ: a da direita é uma porta por onde entra o vento, e outra por onde sai o vento. Os demais motivos contidos no recipiente são referentes à vida do gente-Gaapi, suas veias, veias do ar (vento, fumaça), veia de água, veia de sangue. Para os kumuã, o gaapitʉ é a anatomia do gaapi mahsu, os canais por onde circulam o sangue, os líquidos, os fluidos e outros elementos essenciais de vida do corpo humano.

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Gaapi wahro (Cuia de gaapi) e Gaapi wahro (Cuia de gaapi mahsu).

Para os ʉmʉrĩ Mahsa (Desana), essas cuias têm o sentido do corpo da mulher. A cuia pequena (cuiupi) traz consigo três narrativas: de cuia-de-gente-dohtoari, de cuia-da-vida-da-pessoa e do umbigo-do-menino-Gaapi. Essa cuia, hoje em dia, pode ser considerada como o seio da mulher que amamenta a humanidade. O bahsegʉ (benzedor) dá o nome a ela de veia-de-leite, veia-de-frutas-doces, veia-de-vida. É assim que ele injeta força e poder na cuia de gaapi. Por isso, essa cuia só deve ser usada pelo agencidador, pelos conhecedores ou especialistas (kumu, yai e baya). A cuia redonda representa a fecundação, ou seja, o útero e o ventre da mulher, a cuia que vai gerar o humano, a cuia acolhedora, que vai alimentar a humanidade. São essas as forças que o bahsegʉ introduz na cuia do gaapi, para ter seu efeito sobre os cantores/dançarinos de gaapiwaya. Nessa cuia pode ser servido o gaapi para qualquer um dos participantes da cerimônia. Essa é a importância da cuia de gaapi. Antes existia um especialista já escolhido somente para cuidar dessa bebida.

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Gaapi doâ nimasã puhtisãgũ (kumu pajelador do efeito da gaapi)

O kumu, antes mesmo de ir buscar as ramas de gaapi, já agenciava as forças através do cigarro. Quando cortava as ramas da planta, já defumava. Ao chegar em casa, no momento de estar socando as ramas, continuava defumando-as com o uso do cigarro, colocando nelas os efeitos de visões (forças) que iam gerar conhecimento aos participantes. Quando tirava a bebida do fogo, colocava mais efeito nela e experimentava, com o uso da folha de bananeira, se estava no ponto. Se o gaapi estava bom, brilhava na folha da bananeira. Por isso se diz que o “cuidador do gaapi” conhece todos os níveis de agenciamento das forças para dar efeito e tirar o efeito da bebida. Para o agenciamento do gaapi, utilizado durante o ritual, também acompanhavam o Mʉrõro (cigarro de gaapi), o pa´tu (ipadu) e o Pe’ru (caxiri). Assim, o Gaapi mahsu não está presente somente na bebida do gaapi e sim em todos os elementos usados para adquirir conhecimento. Segundo os kumuã, o gaapi sozinho não promove visões completas.

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Gaapi tiãgʉ (kumu oferecendo o gaapi ao baya na casa cerimonial)

Existe sempre uma pessoa especializada para cuidar do gaapi, que também deveria se submeter à dieta alimentar e outros cuidados durante os três dias que antecediam o evento. Depois de pronta a bebida, o próprio especialista, com seus ajudantes, prova a qualidade do gaapi. Ele toma a mesma quantidade que oferecerá para quem vai participar do ritual. Ele senta, fuma, respira fundo, depois vai até a porta e vem dançando em direção aos homens que participarão do ritual. Ele fica em frente ao baya/kumu para começar a servir; ele faz um discurso dizendo que o que foi pedido já está pronto e assim dá início à beberagem. Quem bebe o gaapi torna-se, ao mesmo tempo, desse mundo e do outro mundo. Quem oferece o gaapi, nesse momento, voa alto para assumir o corpo do Sol/Trovão. Quem recebe a cuia da bebida, ao contrário, entra na Casa do Diawi (Casa da origem do Gaapi), torna-se Gente-de-Emergência. Depois que ele ofereceu o gaapi ao baya/kumu, ele distribui a bebida aos demais. Em seguida passa o pa´tu (ipadu) aos participantes, acompanhado por um cigarro. Depois ele sopra o paricá. Depois disso as mulheres oferecem o caxiri. Quando o Gaapi está dando bom efeito os jovens tocam/dançam o cariçu, outros cantam o Gaapiwaya. Os kumuã fumam o cigarro.

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Imagens do gaapi nos rituais

Os conhecedores dizem que quando o agenciador (kumu) executa o bahse niĩmasãse com força e de modo prolongado, o gaapi tem efeito forte, e torna-se gaapi para bayaroa e kumuã, em pessoas que serão especialistas, filhos de flautas. Bayaroa e kumuã entram no corpo de Gaapi, são colocados no interior do gaapi pela força do agenciamento do especialista. Quando ele passa o cigarro para os visitantes e quando entrega os materiais do dabucuri, ele consegue realizar discursos sem parar. Os bayaroá (cantores/dançarinos) também conseguem cantar e dançar bem, pois eles entram no mundo das flautas. Quem vai tocar/dançar o wẽõpari (cariçú) também entram no fio de respiração das flautas. Por isso os conhecedores explicam que, na verdade, quem canta e quem toca os instrumentos musicais são os próprios seres do gaapi. Não a pessoa desse mundo. Por isso, narram essas histórias acompanhadas pelo toque da flauta-chocalho, assim os cantores e dançarinos entram em sintonia com os seres desse mundo e dos outros mundos. A imagem traz a simbologia do mundo de conhecimentos desana, do início ao fim da vida. As cuias simbolizam também a origem da humanidade. No ritual de gaapi elas representam o conhecimento e o tempo de iniciação, seu começo e seu fim.

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Imagens vistas pelo kumu em formação

Para aqueles que seriam especialistas na arte do bahsese teriam visão sob o efeito da bebida através de imagens, símbolos e cores que anunciavam os benzimentos. As cores e grafismos representam caminhos dos waimahsã. Nesse figura, a cuia representa a de proteção. As esteiras de pari são colunas de proteção. O aparecimento dessa imagem (ũkũgʉ) significa que ele vai ser um especialista de leituras sobre o surgimento do universo e todos os seus componentes, da terra e dos rios. É ele que conduzirá o ritual de gaapi para recepcionar os “cunhados” (Tukano), de frente a bahsariwi (casa cerimonial), oferendo cigarro de boas vindas, cuias de ipadu e caxiri.

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Imagens vistas pelo baya em formação

Para aqueles que tinham o dom de tornarem-se bayá, durante as cerimônias de gaapi apareciam-lhes, em visões da bebida, símbolos relacionados aos cantos e danças. Na cuia já havia sido colocado pelo kumu as visões de gaapi hori (grafimos de gaapi), para transmitir o conhecimento.

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Imagens vistas pelo orador (Ukũgʉ) em formação

Para aqueles que seriam especialistas em oratória, viria a visão na “forma de discursos”, uma linguagem em cores e formas específicas. Nessas visões surgiam gaapi mahsa nas personagens de Miriã porã (instrumentos especiais, ditos sagrados), mas também cariçu, japuraturu na forma de tubos de paxiúba enrolados com casca de árvore.

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Imagens vistas pelo bahsegʉ em formação

Para aqueles que seriam especialistas de bahsese, vai aparecer visões de efeito de gaapi sob várias cores, representando os três mundos de gaapi: ʉmʉko doahtise pahti (mundo dos malfeitores do universo), ʉmʉko yukʉdʉka doahtise pahti (mundo dos malfeitores da floresta), e waimaha doahtise pahti (mundo dos malfeitores do rio). A forquilha de cigarro é o símbolo do bahsegʉ, que quando faz o bahsese está conectado, via fumaça, ao mundo dos waimahsa, pela cuia de bahseriko wahro (benzimento de cura).

Jaime Diakara é indígena Desana e Mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas

jaimediakara@yahoo.com.br

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