Wahi | Uma meditação sobre miçangas, memórias e mulheres – por Wolfgang Kapfhammer

O caráter informal desse blog "Cadernos do NEAI“ me oferece a oportunidade de publicamente prestar atenção a essas primeiras impressões, que ocupam a cabeça na primeira vista – digamos de um objeto etnográfico numa coleção museológica – e às associações que seguem desobstruídas pelas convenções científicas. A meditação a seguir foi desencadeada por um lado por uma tanga Waimiri-Atroari na coleção Fittkau no Museum Fünf Kontinente em Munique, Alemanha, e pela predileção da minha esposa por uma certa bijuteria da Boêmia do tempo “pre-guerra”. O elemento comum é o uso de avelórios ou miçangas, em ambos os casos provavelmente da origem boêmia. O que segue é nada mais do que uma improvisação sobre temas como contato (in-/voluntário), migração (muitas vezes forçada), trauma e resiliência.

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“O celular é o avô dos Waiwai” Tecnologias e domesticação das redes e mídias sociais entre os Waiwai – por Alexandre Aniceto de Souza e Carlos Machado Dias Jr.

Propomos abordar alguns aspectos das mídias e redes sociais no contexto da organização social do povo indígena Waiwai na Amazônia brasileira. Descrever algumas relações estabelecidas entre eles, a partir das transformações proporcionadas pelas mídias e redes sociais, em articulação com suas próprias formas de organização e gestão territorial, é o ponto central deste artigo. Em acordo com a maioria dos jovens abordados, o celular ocupa um lugar importante no registro de suas diferenças frente aos brancos. Como observou um deles: “o celular é o avô dos Waiwai, guarda a nossa memória e pode explicar tudo que a gente não sabe”.

Comentários à dissertação de João Paulo Lima Barreto, “Wai-Mahsã, peixes e humanos: um ensaio de Antropologia Indígena” – Por Márcio Ferreira Silva

Dispensando apresentações, republicamos o belíssimo comentário de Márcio Silva sobre a dissertação de João Paulo Tukano, apresentado originalmente na "Sexta do Mês", na USP, em 2013. O texto permanece pertinente e atual frente aos desafios enfrentados por todos com o protagonismo cada vez maior dos indígenas nas Universidades.

Reflexões sobre as categorias de animal e fantasma na narrativa de Davi Kopenawa – por Agenor Vasconcelos

Trabalho apresentado ao final da disciplina "Tópicos Especiais em Antropologia - Etnologia e indigenização da modernidade" no PPGAS/UFAM (Manaus, Amazonas, Brasil). A partir das leituras bibliográficas que formam a "paisagem etnográfica do Noroeste Amazônico", da experiência entre pós-graduandos indígenas do Alto Rio Negro e do trabalho de campo em São Gabriel da Cachoeira, reflete-se sobre as categorias "animal e fantasma" na obra "A queda do céu", transcrição da narrativa cosmológica dos Yanomami segundo Davi Kopenawa. Por compartilharem uma mesma essência, os animais e os humanos possuem um "parentesco mitológico" para explicar as relações entre a espécies. Os animais e os fantasmas seriam, na perspectiva da obra a "A queda do céu", evidencias desse parentesco.

Grupos territoriais, manejo da floresta e sistemas de cultivo na Bacia do Purus, Amazônia – por Gilton Mendes dos Santos

A exemplo do que aconteceu em muitas regiões da Amazônia, a bacia do Purus foi ocupada, até um passado não muito distante, por numerosos pequenos grupos locais (que a antropologia classifica como parentelas, subgrupos, aglomerados ou nexus) nominados e territorialmente situados. Estes grupos exploravam os ricos e dispersos recursos vegetais para fins alimentícios através de um complexo sistema de manejo da floresta sem necessidade da agricultura. Com a chegada dos exploradores de “drogas do sertão” e das frentes extrativistas, a partir do século XVIII, essa realidade foi significativamente transformada, levando à implantação de uma economia agrícola baseada no sistema de corte e queima. Este texto busca discutir este cenário, por meio da demonstração de três breves casos, Apurinã (Aruak), Paumari e Suruwaha (Arawa).

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